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Conheça a Coopenea, Cooperadores com Necessidades Especiais e Amigos


Criada em 2002, a Coopenea, Cooperadores com Necessidades Especiais e Amigos, sempre contou com a simpatia e o respeito da Região Sul Fluminense. Mas o que é essa entidade? Como eles enfrentam a questão da Acessibilidade? As políticas públicas atendem as necessidades das pessoas com deficiência? Esse termo Deficiente é correto? Essas e outras perguntas estão nessa conversa que a revistasiga.com teve com o atual Presidente da Coopenea, Thiago Lopes (foto). É uma entrevista corajosa, assuntos importantes e Thiago, não economizou palavras, falou tudo que achou necessário. Lhe convidamos para acompanhar esta conversa:


REVISTA SIGA: O que é a Coopenea?

THIAGO LOPES: Coopenea co-operadores com necessidades especiais e amigos. Somos uma instituição sem fins lucrativos no formato de cooperativa de pessoas com deficiência e Amigos. Nascemos em 2002 com o objetivo de lutar por inclusão. Em todos os lugares. "Nosso Lema. Só seremos lembrados se formos vistos". Com base da Lei de Cota PCD 8213/91. Nossa principal atividade é ajudar a PCD entrar no mercado de trabalho. Hoje temos um banco de dados online curricular aonde disponibilizamos gratuitamente a inscrição da PCD e o Acesso das empresas interessados em contratar-los (https://coopenearh.wixsite.com/website). Muito simples e fácil.Com uma taxa de contratação de 90%.


RS: Quem pode fazer parte?

TL : Qualquer Bom Samaritano.


RS: qual a diferença de pessoa "portadora de necessidades especiais " para pessoa com "deficiência"?

TL: "Quem porta alguma coisa pode decidir não portar mais." Hoje ainda é usado esse termo portador de deficiência em legislação de alguns órgão público. Causando muitos problemas para as PCD. Exemplo de nossa cidade Volta Redonda: Hoje uma pessoa da melhor idade pode tirar sua carteirinha de estacionamento. E não precisar voltar para renovar ela periodicamente como as pessoas com deficiência precisam. Muitas vezes de dois em dois anos. Quando a medicina declara que a pessoa é deficiente isso significa que essa patologia é definitiva. Portanto não pode "portar".


Outro termo que é errado falar é, Pessoa com necessidades especiais.Um dos motivos do termo “pessoa com necessidade especial” ter caído em desuso é por conta de indicar que a pessoa tinha, obrigatoriamente, uma necessidade especial, sendo que isso não se aplica a uma pessoa com deficiência. Eu concluo essa resposta, com essa provocação com uma frase que sempre falo: "Se um espaço é acessível de fato. Não existe deficiência. Deficiente na verdade é o espaço e não a pessoa".


RS: Como é a acessibilidade para as pessoas com deficiência?

TL: Se formos falar de acessibilidade de fato. É Precária e se olharmos mais há fundo, não existe. Acessibilidade não é só rampa de acesso. Não é barra de apoio. Um exemplo que coloca em cheque essa acessibilidade que conhecermos. É Libras Língua Brasileira de Sinais. É o nosso segundo idioma. Seu ensino deveria ser obrigatório nas escolas e não é. A maior inclusão está em nós. Na nossa mente. Não podemos ver mais uma rampa de acesso muito inclinada e uma rampa do lado para carro com menos inclinação. Não podemos ver mais um surdo precisando de atendimento médico sem conseguir se comunicar pois ninguém no hospital sabe libras. E mais: "A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte".


RS: Incomoda a vocês esse termo "deficiente" ?

TL: Muito,mesmo sabendo que deficiente é o espaço que habitamos. E sim, precisamos vestir essa camisa. Precisamos levantar essa bandeira. Não queria estar nesse lugar de fala. Já que estou, Presente. Ou melhor "Deficiente SOU"


RS: Qual a maneira correta , ou o termo correto que devemos usar?

TL: Pessoa com Deficiência.


RS: As políticas públicas atendem aquilo que vocês precisam ?

TL: Tem uma frase que aprendi com a Wanubia de Carvalho. E é real. "Só que sente sabe".

A maioria das liderança e pessoas responsáveis de fazer política pública não tem a noção de como é estar na pele da pessoa com deficiência e nem respeitam o lugar de fala das PCD. A resposta é não. Exemplo: A pessoa precisa fazer um tratamento, mas se ela depender de um transporte adaptado para se deslocar a chance dela conseguir fazer esse tratamento é pequena se ela não tiver condições financeiras.


RS: O que poderia ser feito nesse sentido?

TL : A saúde precisa de transporte adaptado. A educação precisa de transporte adaptado. Precisamos de transporte adaptado para fazer nossas necessidades básicas como fazer compras. Precisamos fazer um senso na nossa cidade.

Não um senso por estimativa mais sim um senso mesmo com parceria com o os cras posto de saúde escola etc.


Precisamos de uma Saúde voltada a PCD. Precisamos que nossa prefeitura fiscalize todas as lojas e estabelecimento que não são acessível. Exemplo: são poucos estabelecimento que possuem banheiro que a cadeira de rodas consegue passar na porta. A nossa rede hoteleira 98% de suas acomodações a cadeira de rodas não passa na porta do banheiro e nem do box.Isso acontece também nos consultórios dentários. O pontual shopping não tem banheiro adaptado. Eu uso frauda não porque eu preciso mais porque são poucos os locais que eu consigo entrar com a minha cadeira no banheiro. É um absurdo em pleno século 21 árvores em calçadas. Que maioria das vezes as calçadas tem de largura no máximo 2 metro.


Segundo a norma uma porta tem que ter 90 centímetro por causa da cadeira de rodas. Como uma calçada que no máximo chega a 2 metro pode comporta cadeira de rodas, árvore, Raiz, porte de luz, ponto de ônibus, Lixeira pedestre etc. Não sou contra a natureza mais hoje por causa desse pensamento egoísta o local que me desloco com a cadeira é na rua no meio dos carros. As calçadas virou local de árvores e raízes. E para piorar as pedras portuguesas. O cadeirante quando acorda vai para a cadeira. ele fica sentado o dia inteiro. Só descansa quando estar deitado. A nossa bunda fica muito dolorida por esse motivo. Quando passamos pelo calçamento com pedra portuguesa é um martilho. Porque a cadeira treme e soca muito. Hoje a estética vem primeiro que o bem estar do próximo.


RS: Existe uma estatística de quantas pessoas com deficiência temos em volta redonda ou região?

TL: Existe uma estimativa com base no IBGE. 20% da população Brasileira possue algum tipo de deficiência. Se a população de Volta Redonda é de aproximadamente 254 mil a população de PCD é de aproximadamente 50.800 mil


RS: A Coopenea, só atende pessoas de volta redonda?

TL: Não, Temos a ambição chegar no Brasil inteiro. Exemplo: Registrado no nosso barco de dados temos PCD do Rio, São Paulo e Minas.


RS: Vocês sobrevivem de que maneira?

TL: No momento nossa sobrevivência está sendo mantida por doações financeiras, o nosso voluntariado, rifas ações entre amigos. De todos voluntariado, uma que se destaca por sua causa entrega é a Gloria Celeste Laureano Frotte. (Glórinha). Nos tem ajudado muito. Nessa pandemia perdemos nosso espaço. Ela está com o nosso mobiliário em sua casa. Até mesmo nossa Kombi adaptada para transportar cadeirante. Que infelizmente está parada. Esse veículo está na garagem da casa da Glorinha. Tem um ditado que Deus sempre envia anjos para nos ajudar. O nosso Anjo é a Glórinha.


RS: Aceitam colaboração?

TL: Sim aceitamos e precisamos.


RS: A coopenea recebe algum tipo de ajuda do poder público?

TL : Hoje Não. Precisamos de um espaço central urgente. Grande parte do nosso público tem dificuldade de locomoção por esse motivo a necessidade de ser central. Para receber bem os nossos atendidos e empresas interessadas em contratalos.


RS: O que você gostaria de dizer aos leitores?

TL: Agradecer por sua atenção. Deixo o convite ! Venha ser Coopenea !!! É um movimento altruísta que visa o melhor para a sociedade em sou todo. Bora fazer o bem sem olhar a quem? Nosso contato: (24)999744906 e o e-mail é coopenea.vr@hotmail.com. A Coopenea neste momento funciona num endereço provisório: Av. Amaral Peixoto, 8° andar, sala 807, Edifício Pastor.

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