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Conheça a história de Henrique Santos, voltarredondense pentacampeão mundial de kickboxing


Na infância ele via o pai lutando, e sonhava fazer igual, e conseguiu! Henrique da Silva Santos, 31 anos, voltaredondense, morador no bairro Açude 1 não só se tornou lutador como é Pentacampeão mundial de Kickboxing. Ele é o nosso convidado desta imperdível entrevista:


Marcamos a nossa conversa na academia onde Henrique treina, esperava um rapaz sisudo, meio contrariado por dar entrevista na hora do treino, que nada, a amizade nasceu "de Estalo", super gente boa, extremamente gentil e compenetrado no que faz, já fiquei feliz.


Henrique começa nos contando que começou muito cedo, aos 7 anos, apenas no Taekwondo uma arte marcial Coreana. Treinava no CIEP 403, no Bairro Açude, em Volta Redonda. Então estava tudo resolvido, Henrique sorri: "Que nada! O Professor teve que ir para outro local e eu, de família pobre não tinha dinheiro para ir até lá". Sempre falando com extrema humildade esse campeão, aliás pentacampeão mundial, começa então a treinar sozinho e ali no meio das dificuldades, nasce o sonho de ser o Número 01, o melhor do mundo.


A história flui fácil no ambiente dele, na academia o campeão está em casa, me limito a dizer: e aí?


Aí, diz Henrique, entrei para o quartel e lá me destacava nas atividades físicas e quando tinha treinamentos de lutas. Já era o Kickboxing? "Não, explica Henrique, o Kickboxing eu conheci quando saí do quartel e fui treinar com um amigo, tinha achado o que queria, não larguei mais, comecei a me destacar nós treinamentos, graduações e nos campeonatos ". Continuo ouvindo, saudades do Mestre Júlio Louzada, que Deus o tenha, me dizia, não fique "metralhando" o entrevistado com perguntas, o estimule a falar. Fiquei em silêncio olhando para o campeão que voltou a falar: "Hoje sou, graças a Deus, pentacampeão mundial de Kickboxing, 5 vezes o melhor do mundo e sou o primeiro e único mestre de kickboxing de Volta Redonda.


A pergunta é inevitável, quando nasceu o Henrique campeão, o primeiro título? Henrique faz uma pausa, é visível sua emoção: "foi em 2017, fui sozinho e escondido em São Paulo, eu tinha a certeza de que ganharia e ganhei! Ganhei também a vaga na Seleção Brasileira, eu sem nenhum recurso, não tinha ao menos ideia de como chegaria a Argentina para disputar o Mundial. Tudo é por nossa conta, pensei, não vai dar, mas graças a Deus, meus familiares e minha comunidade do Açude, que se juntaram e me ajudaram, eu fui.


Em 2018, o sonho aconteceu, na Argentina, ganhei meu primeiro campeonato mundial, e aí, Henrique sorri, meio tímido e continua, veio a sequência, campeão mundial novamente em 2019. Em 2020 não teve por conta da pandemia, 2021 conquistei o tri e agora em 2022 ganhei o tetra e o pentacampeonato mundial porque fui disputar o tetra com 75 kgs e ganhei muito fácil e rápido, sem desmerecer o adversário, mas não satisfeito, desafiei o campeão da categoria de 87 kgs, 12 a mais do que eu". Me surpreendo, interrompo e como bom curioso, antes que Henrique contasse, pergunto, e ele aceitou? "Sim, aceitou, eu tinha certeza da vitória, não duvidei nunca, Final , eu com os braços erguidos, vitorioso, trazendo o pentacampeonato mundial para o Brasil e para minha Volta Redonda ".


Fugimos nesse instante da entrevista, não posso deixar de cumprimentar o campeão, infelizmente se publicássemos todos os detalhes , teríamos que fazer outra edição, vamos voltar ao trabalho?


Pergunto se ele se sente um atleta diferenciado, e ele confirma que sim: "sou sim, com trabalho e humildade, mas sou dono de 5 títulos mundiais consecutivos sendo quatro deles de categorias diferentes de pesos: 70kgs, 75kgs (2 vezes), 80 kgs e 87 kgs. Consegui todos esses títulos com muito esforço, muita dedicação e claro, trabalho, trabalho duro. De onde sou, tenho que ser duas vezes melhor que qualquer outro, eu não posso ser só mais um, eu tenho que ser o número 01".


Depois de um super depoimento como esse, penso em deixá-lo treinar tranquilo, ele tinha dito algo muito importante, mas sou repórter, a curiosidade fala mais alto, e pergunto, bom, agora você é um pentacampeão mundial, como é sua rotina de treinamentos, sua equipe? Ele de novo me olha meio que surpreso e com tristeza responde: "treino sozinho ou com meus alunos, não tenho academias modernas, atletas profissionais para um alto rendimento. Dou meu melhor dentro das condições que tenho, claro, ainda espero e sonho com uma estrutura melhor".


E recursos campeão, de onde eles vem, afinal, manter a forma "não tenho patrocínios ou empresários para me ajudarem com os campeonatos. Eu pago tudo do meu bolso com as aulas que dou de kickboxing na academia do Rodrigo Vianna, essa aqui, onde estamos conversando, em frente à igreja católica do Retiro.


Meus familiares me ajudam, alunos e comunidade do Açude. Os moradores vêem meu esforço, meu dia a dia de treinamentos e, fazem rifas, almoços, vendem camisas para que eu consiga poder viajar e colocar meu nome e do meu Querido Bairro Açude no topo do mundo".


Fico emocionado, que luta! Que história fantástica, pergunto ao campeão, Henrique, você faz palestras? "Faço projetos sociais, ajudo como posso a criançada do meu Açude, tudo de graça, quero que eles conheçam o kickboxing e ocupem suas mentes com as artes marciais, eu sou feliz, pentacampeão mundial, tenho o respeito dos mais velhos e sou referência para os mais novos"


Essa é a história de Henrique da Silva Santos, 31 anos, pentacampeão mundial de Kickboxing, se preparando para lutar no México em Setembro, faltam recursos, finalizo perguntando quanto e ele diz : "7 mil reais". Pouco, muito pouco para um super campeão.

Me despeço e descubro que ele não tinha ido treinar, largou tudo para nos dar a entrevista. Um abraço de admiração, respeito e amizade nos separa. Saio caminhando pelo Gigante Bairro Retiro, sempre muito movimentado e vou pensando, o que são 7 mil reais para um herói? O que são 7 mil reais para um pentacampeão mundial. O que são 7 mil reais, para alguém que orgulha nossa Cidade e a torna internacional. O que são 7 mil reais para alguém tão talentoso que venceu sozinho, pelos seus próprios méritos sem nunca prejudicar ou fazer mal a alguém?


COM A PALAVRA, NOSSAS AUTORIDADES E NOSSA CLASSE EMPRESARIAL. VAMOS LEVAR NOSSO PENTACAMPEÃO MUNDIAL AO MÉXICO?

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